quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Ecobarreiras / RJ


ECOBARREIRAS


No Rio de Janeiro, a iniciativa “Rio Ama os Rios”, do Instituto Estadual do Ambiente, implanta ecobarreiras de garrafas PET nos rios urbanos para diminuir a quantidade de lixo nas águas. O projeto, que destina os resíduos recolhidos para reciclagem, acaba de implantar mais uma barragem ecológica no Recreio dos Bandeirantes
Débora SpitzcovskyPlaneta Sustentável - 12/08/2009
Com o objetivo de remover e reciclar uma parcela do lixo que flutua, diariamente, nos rios urbanos que deságuam na Baía do Guanabara e no Sistema Lagunar da Barra da Tijuca – composto pelas lagoas de Jacarepaguá e Tijuca –, o Inea – Instituto Estadual do Ambiente implantou, na cidade do Rio de Janeiro, o projeto “Rio Ama os Rios”. A iniciativa consiste em instalar dentro dos rios, em trechos próximos a foz, estruturas flutuantes, chamadas pelos criadores do projeto de “Ecobarreiras”, que são feitas a partir de materiais reciclados, como, por exemplo, garrafas PET. A ideia é conter os resíduos que são despejados nas águas dos rios e encaminhá-los para centros de reciclagem. Para isso, o projeto – que visa, também, gerar emprego e renda para a população que vive no entorno dos rios – oferece treinamento especializado para moradores que queiram se tornar “Ecogaris”, ou seja, atuar na coleta e separação do lixo que fica preso nas ecobarreiras. Os equipamentos e materiais necessários para a atividade – como balança e equipamento de segurança individual – são doados por Cooperativas de Reciclagem. Todo o processo de recepção, separação, pesagem e prensagem dos resíduos coletados é feito pelos Ecogaris nos “Ecopontos” – unidades instaladas próximo a cada uma das Ecobarreiras –, que também compram lixo reciclável dos moradores da região, a fim de incentivar a população a não jogar o lixo em locais inadequados. A partir daí, o material selecionado é enviado para a Febracom – Federação das Cooperativas de Catadores de Materiais Recicláveis e destinado à reciclagem. Ao todo, o projeto – que recebe apoio de diversas empresas, como, por exemplo, a Haztec –já implantou nove ecobarreiras nos rios urbanos da cidade do Rio de Janeiro, contribuindo para o combate à poluição da Baía do Guanabara e do Sistema Lagunar da Barra da Tijuca. A instalação mais recente foi feita no Recreio dos Bandeirantes, no Canal de Sermambetiba, no início do mês de agosto.

.
Natureza
Evelyn Müller
Na horta da paisagista Regina Rotelli, beterraba, alface e couve são cultivadas sem química.
Por um jardim mais saudável

Pronto para desfrutar a vida ao ar livre sem culpa? Para ter uma área externa realmente verde e bem cuidada, escolha plantas nativas, seja criterioso com os materiais, use a água com parcimônia e combata as pragas com fórmulas naturais, fáceis de preparar e que não agridem o meio ambiente

Cynthia Frank e Luciana BenattiEspecial Casa Sustentável* – 08/2009

Não importa se você tem um quintal generoso ou um canto na varanda do apartamento: a presença da natureza em casa inspira um cuidar sem excessos, em equilíbrio com o planeta. Algumas fórmulas caseiras antipragas fazem parte da sabedoria popular e são empregadas por paisagistas e jardineiros como alternativa aos inseticidas químicos (veja as receitas nas próximas páginas). Além dessas soluções menos agressivas de tratamento, há escolhas básicas no projeto que fazem toda a diferença para quem quer ter um jardim ecológico. Um bom começo é optar por plantas nativas. Não apenas espécies do Brasil, mas também do ecossistema no qual o jardim está inserido. "É uma forma de reconstituir a vegetação existente", explica o engenheiro agrônomo e paisagista paulista Maier Gilbert, dando como exemplo a mata Atlântica, que no passado cobria boa parte do nosso litoral. A definição dos materiais também deve levar em conta o impacto ambiental de cada um. Se o projeto prevê a instalação de um deck, vale verificar a procedência da madeira -existem no mercado opções certificadas, fruto de manejo florestal sustentável, ou que empregam espécies de áreas de reflorestamento, caso do pínus. Substitutos como o plástico reciclado são outra boa saída. Nas áreas pavimentadas, o cuidado é evitar a impermeabilização do solo, contribuindo assim para reduzir o problema das enchentes nas grandes cidades. "Uma boa dica são os pisos intertravados de concreto", indica o paisagista. "Como os blocos são encaixados sem rejunte sobre a terra, permitem a drenagem pelos vãos." Por outro lado, o consumo de água deve ser otimizado, se possível com a captação de chuva para irrigação.

QUALIDADE DE VIDA

Mas será que isso é tudo? Há quem acredite que não. "O conceito de sustentabilidade está se expandindo para abranger a melhoria da qualidade de vida", aponta o paisagista paulista Benedito Abbud, que vem pesquisando o assunto. Segundo ele, há 20 anos, a função da área externa era apenas de contemplação. Hoje, ela funciona como ambiente de estar, lazer e até trabalho, graças à internet sem fio. "As cidades estão muito agressivas e as pessoas querem ter um lugar gostoso em casa. Nada melhor do que o jardim."

DEFENSIVOS NATURAIS

Ritual relaxante e de lazer, cuidar pessoalmente do jardim ajuda a liberar o estresse. Mas é preciso se precaver dos produtos nocivos. "Ao tocar as folhas e cheirar as flores, corremos o risco de absorver resíduos de inseticidas pesados", alerta Vanda Bueno, do departamento de controle biológico de pragas da Universidade Federal de Lavras, MG. Também há prejuízos para o ecossistema. "Além de desequilibrá-lo, essas substâncias favorecem o aparecimento de novas doenças." A novidade é que existem pesquisadores empenhados em provar cientificamente a eficácia dos defensivos naturais. "Estamos estudando uma série de combinações", diz o biólogo Francisco Zorzenon, do Instituto Biológico do Estado de São Paulo. Entre os ingredientes que já têm o aval da equipe do pesquisador, estão cravo-da-índia, pó de café, pimenta-do-reino e alho. Como fazer? Coloque 50 g de qualquer um deles de molho em 450 ml de água por 24 horas. Coe em peneira ou papel-filtro e você terá um extrato contra pulgões. [img1]

MEDIDAS SIMPLES PARA PROTEGER AS PLANTAS

Instale comedouros e bebedouros para atrair pássaros. Em troca, eles vêm caçar os insetos daninhos, além de alegrar o ambiente. Insetos benéficos - que costumam desaparecer quando se empregam agrotóxicos - também ajudam no controle de pragas. As joaninhas, por exemplo, se alimentam preferencialmente de pulgões. Algumas plantas são reconhecidas como protetoras: elas repelem pragas, resguardando as espécies mais frágeis cultivadas nas proximidades. Por isso, é sempre bom tê-las no jardim. "Delicadas, as roseiras se beneficiam da convivência com um canteiro de cebolas. Até o perfume das flores fica mais acentuado", afirma a paisagista Aline Najar. Outras que fortalecem as espécies vizinhas: alecrim, alho, arruda, calêndula, camomila, capuchinha, cravo, confrei, gerânio, girassol, malva, menta, sálvia, salsa, trevo e tomilho.